Voltamos semana passada do Peru, continuando uma nova série
de viagens mais curtas e um pouco mais econômicas e tentando corrigir uma falha
básica em nossos roteiros, a de não conhecer países da América do Sul.
Por se tratar de uma das regiões do mundo aonde a
civilização se desenvolveu de forma independente (domesticação de plantas e
animais, domínio da cerâmica, engenharia e arquitetura), além de ser extremamente rica em minerais e
ter uma longa história de dominação e exploração colonial, para as pessoas que
como eu gostam de turismo cultural, o Peru é uma boa opção.
Um belo vídeo divulgando o turismo do Peru pode dar uma ideia da riqueza cultural do país:
A viagem foi uma agradável surpresa. Desde o início, ainda
no planejamento, foi possível perceber que há muito mais do que Machu Picchu
entre as opções de destinos turísticos interessantes.
Além do óbvio (Incas e MP), foi possível observar que, por
milhares de anos, diferentes culturas se desenvolveram em toda a região. Limas,
Waris, Mochicas, Nazcas, cada povo com identidade própria, frequentemente
construindo sobre as conquistas das civilizações que os antecederam.
Lima me pareceu uma cidade moderna e segura. Muitas atrações
culturais, bons museus e restaurantes, táxis baratos (sem taxímetro, com
negociação obrigatória antes de embarcar). Certamente vale uma parada de alguns
dias.
Depois fizemos um roteiro meio fora de padrão para o turista
básico. Contratamos um motorista para nos levar até Islas Ballestas (leões
marinhos, aves, pinguins), Huacachina (oásis no meio do deserto, com passeio de
buggy e sandboard) e Ica, de onde finalmente pegamos um ônibus para Nazca.
Como desde criança leio sobre as incríveis linhas que só
podem ser observadas do céu, criadas para fins desconhecidos por um povo
misterioso, eram para mim destino obrigatório.
O vôo em um pequeno avião, terror de centenas de turistas em
relatos que podem ser encontrados em toda a internet, para mim foi tranquilo
(com o devido preparo, um dramin antes e um vonau flash no embarque). Minha
esposa, no entanto, não teve a mesma sorte.
As linhas são mesmo incríveis. Estão há séculos no mesmo lugar
e praticamente intocadas (com exceção da carretera panamericana sur que quase
passa por cima de alguns desenhos). Além das linhas, conhecemos um cemitério
nazca, infelizmente saqueado por séculos por pessoas em busca de tesouros.
Muito interessante também foi visitar um aqueduto de Cantalloc, um dos muitos
construídos na região para transportar pelo subterrâneo a água de distantes
fontes e que continua em uso até hoje.
Retornamos de ônibus até Lima, para então pegar um vôo para
Cusco, antiga capital Inca e que em seus áureos tempos foi a maior cidade das
Américas. Local interessantíssimo, incrível combinação de bases incas sobre as
quais os espanhóis sem qualquer vergonha construíram templos e palácios.
A cidade é muito bonita e me lembrou um pouco das do
interior de Minas Gerais. Fica no fundo de um vale e com várias colinas ao
redor, mas a altitude é cruel. Logo na chegada sofri do temido "mal de
altitude" (com forte dor de cabeça e falta de ar) e que foi um pouco
aliviado com o chá de coca. Usamos Cusco como base para visitar inúmeros pontos
de interesse na região (Chinchero, Moray, Salinera, Ollantaytambo, Sacsayhuamán
e, claro, Machu Picchu).
A cidade base para a visita à Machu Picchu é Águas Calientes
(e que supostamente agora também se chama Machu Picchu), que alcançamos através
de um belo passeio de trem pelo vale do rio Urubamba. Já na ida é possível
observar várias ruínas Incas, algumas ainda ocupadas por pequenos agricultores,
que usam os terraços seculares para o cultivo de produtos.
Machu Picchu foi para mim tudo o que se dizia e mais.
Incrível arquitetura, uma cidade construída em um local absolutamente lindo e
absurdamente impraticável. Fotos não fazem jus à beleza do sítio e passear
pelos seus terraços, encontrando novos detalhes a cada curva é indescritível. A
contratação de um guia local é altamente recomendável, pois transforma as belas
ruínas em um local que vive e respira, rico em história e surpresas.
Em conclusão, achei o Peru um bom destino turístico. A riqueza cultural e gastronômica, aliadas à simpatia do povo e à proximidade do Brasil fazem do país uma boa opção para quem quer conhecer um pouco mais sobre nossos vizinhos sul-americanos.
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